Cheguei a Alfenas com uma mão na frente outra atrás...
Sonhos e perspectivas de mais. Dinheiro de menos.
Uma das coisas que nunca vou me esquecer é do local em que me hospedei nos dois anos de curso: na casa do Sr. José Theodoro e Marta, que foram como verdadeiros pais pra mim durante todo esse tempo. Me trataram com um carinho incrível. Eles já estavam acostumados a hospedar estudantes em sua casa simples, porém confortável, e creio até que eles gostavam disso, uma vez que casaram já de idade e não podiam ter filhos.
Cheguei ao Hospital Universitário para o primeiro plantão como aspirante a Buco-Maxilo. Acordei o residente às 7:00hs e comecei a enchê-lo de perguntas. Hoje lembro que ele devia estar querendo me mandar para aquele lugar...
"pô, chega um cara às 7:00 hs no domingo e me enche de perguntas sobre o curso". Mas não tinha nada não, o cara era tão gente boa que me respondeu tudo.
O Hospital Alzira Velano é muito grande, bonito, equipado e considerado um dos melhores hospitais universitários do Brasil.
Conhecemos os professores do curso, os colegas de turma, desde aqueles que estavam começando o curso até os que iriam terminá-lo no final do ano. Na minha turma havia três homens e três mulheres. Foi a turma mais mesclada em termos de gênero...
Como éramos seis, dividiram-nos em três duplas. Cada dupla faria o plantão em uma determinada época do mês. O plantão era alternado, 1 semana ao mês. No início, éramos obrigados a dormir no hospital, no alojamento reservado aos estudantes. Quanto frio eu passei naquele quarto, com aquela coberta fina e dormindo com as roupas do Bloco Cirúrgico, que pegávamos às escondidas...
E a rotina começava: xxames, suturas, anamneses, radiografias, planejamentos, sangue, choros, amizades, inimizades, alegrias, tristezas, entusiasmo, cansaço, etc. Era tudo muito intenso dentro do hospital... Me sentia numa espécie de "shopping" diferente. Aquelas estudantes de Medicina tão bonitas e tão carentes de empatia... Técnicos de enfermagem, técnicos de RX e laboratório tão cansados e nervosos. Pessoal do transporte correndo pra lá e pra cá. Nos leitos, pacientes de todo o tipo: homens, mulheres, crianças... Altos, baixos, gordos, magros, feios, bonitos, ricos, pobres, educados, mal-educados, em estado grave ou não...
Médicos, enfermeiros, dentistas... professores, alunos, residentes... era uma profusão de gente, de comportamentos, de temperamentos...
Muita gente boa, algumas pessoas estranhas, alguns playboyzinhos e patricinhas, estudantes de medicina... às vezes me sentia muito inferiorizado quando ia conversar com algum deles. Pela primeira vez na vida me senti um zé-ninguém, em algumas ocasiões . Na minha turma de dentistas, não... tudo na boa. Todo mundo no mesmo barco. A classe médica é que não se misturava muito com os demais. Claro, com exceções.